A solidão é as vezes necessária, ela reproduz momentos esquecidos, reconduz situações para os seus lugares e traz a tona sensações e sentimentos esquecidos. Penso hoje, que foi por causa dela que cometi alguns desvios de rota. Não que eles não fossem necessários, mas eles poderiam ser reformulados. Por ela, muitas vezes dormi na sacada de minha casa, evitava o quarto fechado, escuro e frio achando que a paisagem natural, entre estrelas, nuvens e lua, pudesse aplacá-la. Não entendia naquela época que ela me acompanharia por todo meu percurso. Buscava evitá-la construindo refúgios só meus, onde elaborava planos em que permanecia sempre acompanhado, impedindo sempre meu encontro comigo.
Até nos momentos que me punha entre o céu, com estrelas e nuvens, imaginava que me sentia mais aconchegado e mais protegido dela. Como pude por tanto tempo me manter afastado dela? Como pude deixar de experimentar seus efeitos e recusá-la em tantas vezes que ela veio me visitar? Hoje nos relacionamos harmoniosamente, até chamo por ela algumas vezes e sempre ela retorna me retribuindo, dando-me a capacidade de reconhecer a minha fortaleza. Sim, é isso mesmo, a solidão me fortificou, me trouxe a desesperança, e me mostrou que a espera por alguma coisa que pode nunca chegar faz o tempo correr sem desfrute. Ela também, me desamparou, aplacou minha necessidade de completude, me colocou, de qualquer forma, em contato com aquele que sempre vai me acompanhar.
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