quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Uma Declaração de Amor

Cachinhos dourados
Sorriso espontâneo
Ensinaste-me a perceber o amor
O amor que existe inexplicavelmente
Que invadiu o meu ser
A partir dali soube o que é amar
Soube dele, o amor
Soube que ele não tem história, acontece
Soube que ele amadurece, mas permanece
Soube que ele se transforma, mas não muda
Mulher que era menina
Agora te amo
Sempre te amo
Amo a mulher como amo a menina que conservo dentro de mim
Sei que te amo
Pareces o mar
Tens ele no nome
Navegaremos juntos
Sempre.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O lixo nosso de cada dia!!

"Jogar lixo para baixo do tapete", eis uma expressão que guarda um mundo de sentidos. O lixo, nesse caso, é um amontoado de inutilidades que devem ser desprezadas, descartadas, destruídas e que, provavelemente deveriam desaparecer, caso contrário, se acumulariam e  nossas vidas ficariam tão cheias, mas tão cheias, que se tornariam inabitáveis, impossíveis de circulação, atravancadas e sujas.
No entanto, esse acúmulo parece fazer parte da vida de muitas pessoas. Algumas, tem dificuldade de se livrar de seus lixos materiais, guardam tudo, ruminam, re-examinam até conseguirem extrair do lixo alguma coisa  limpa que lhes sirva. De todo modo, elas permanecem com o lixo.

Essa imposibilidade de libertação do lixo se configura como um referencial que se levado ao pé da letra, pode revelar um ser do "re". Re-ver, re-analisar, re-visar, re-visitar, re-viver, re-sentir, apesar de que todo lixo, seja ele qual for, deveria ser re-ciclado.

Os ecologicamente corretos pregam a re-ciclagem, o re-aproveitamento do que do lixo, pode ser utilizado e transformado em alguma coisa proveitosa que não é mais lixo, mas num novo material perfeitamente re-utilizável. Pensar nisso metafóricamente, traz a possibilidade de encontrarmos não só o lixo material, mas também o lixo mental, aquela sujeira que acumulamos ao longo da vida e que muitas vezes guardamos. Esses também re-velam um "re". Re-vivemos, re-visitamos, re-vemos todas as nossas sujeiras interiores sem re-ciclá-las, dessa forma re-começamos e nos premiamos e re-visitamos absolutamente toda essa sujeira.

Eis o mistério da mágoa, o re-sentir, sentir tudo de novo. É comum o ato de re-sentir, e é uma expressão usual a afirmação: "estou ressentido". Constantemente nos deparamos com episódios de re-sentimento. O que será que leva alguém a sentir, sentir, sentir sem re-ciclar? Guardar para si toda o sujeira possível durante sua existência? E ainda por cima atribuir ao outro a responsabilidade por toda essa porcaria.

Se é re-sentir, é sentir o já sentido. Qual a necessidade de sentir novamente aquilo que já foi sentido? Sentir o lixo? Sentir a sujeira? Sentir o que não presta mais? Fazemos isso constantemente, e para entendermos basta que  olhemos para o mundo, para as relações entre as pessoas, para as relações políticas, para as relações familiares, para as relações de trabalho, todas, sem exceção, se manifestam de alguma forma com essa repetição, a de sentir a sujeira  já sentida. O que fazer com tanto re-sentimento?

Olhar a lua por entre as palmeiras e constatar que ela se re-cicla, re-nasce a cada fase, re-aparece cheia, crescente, nova, minguante e que re-vela  claridade por entre as águas calmas de um rio. Contemplá-la possibilita um re-sentir em cada fase, mas um re-sentir re-coberto por um desligamento e um afrouxamento que libera o lixo, a sujeira.

Que bom que os lunáticos existem, re-ciclando, re-sentindo e re-nascendo em cada fase da lua!!!!




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Adoro a fonte courier

Tenho uma grande paixão pela fonte courier, não sei explicar exatamente o porquê. As vezes me vem  à mente que talvez seja por causa de um saudosismo todo especial pelas antigas máquinas de datilografia. É exatamente isso, aquelas máquinas que faziam um barulho quando batíamos na tecla e que tinha que trocar a fita quando as letras ficavam claras. Se não me falha a memória  essa mesma fita, era de duas cores: uma preta e outra vermelha.

Nessa época acho que nenhum poeta que usasse essas máquinas poderia escrever um texto na surdina, sempre o barulho das teclas ressoavam pelos arredores convocando os curiosos a especularem sobre que nova "musa" os estariam inspirando.

E o mais engraçado é que a paixão pela fonte courier que me fez lembrar as antigas máquinas de escrever, me fez também lembrar aquele jornalista da minissérie Hilda Furacão. Aquele jornalista que tentava loucamente, a todo custo, entrevistá-la. Alias, Hilda também foi uma mulher apaixonante,  uma mulher à frente de seu tempo,  que provocou, quebrou tabus, se tornando famosa e desejada.

Ela impôs, em um tempo atravancado pelo preconceito, um novo direcionamento, distanciado que era, do comportamento vigente para as mocinhas recatadas, em que o desejo era camuflado pela falso controle dos sentimentos, pelo cuidado com a pronúncia das palavras, e ainda por cima, se deu ao luxo de decidir por quanto tempo iria transgredir, por exatamente 4 anos, segundo ela. Vale ler o livro do tal jornalista, Roberto Drumond ou acompanhar a minisserie que passa atualmente no canal pago "viva" da Globo sat.

É interessante notar como a paixão realmente põe à prova o controle do sujeito, tanto na sua afeição por uma fonte de um computador, quanto na fissura por uma mulher, deixando-o cego e totalmente impossibilitado de articular as ideias, de conter os impulsos. Esse fato se manifesta com todas as suas nuances, na paixão avassaladora do Padre pela Hilda. Nela, na paixão, tem-se a certeza  de que em algumas situações da vida realmente o controle fica subjulgado por um sentimento incontrolável que parece reproduzir uma situação paradisíaca, para onde todos pretendemos retornar.

A minha paixão pela fonte courier e a do Padre pela Hilda Furacão, que comparação estapafúrdia.

Desse amontoado de ideias desconexas, de cunho eminentemente desajustado seria bom reter, tão somente: o que uma fonte, pela qual se é apaixonado, é capaz de fazer emergir....e como os pensamentos se encadeiam articulando novos sentidos para o caótico.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Um novo Círio se anuncia....

Depois de um ano inteiro de pecados chega a hora da rendição, dos pedidos de perdão, das súplicas acaloradas para  que se consigam realizar os desejos, afinal, um novo círio se anuncia e com ele também se anuncia um reconhecimento, o de que é chegada a hora de repassar os pecados a limpo, um a um.

Passamos o ano inteiro pecando, cometendo deslizes morais, que na maioria das vezes, estão delimitados pela falta de educação, descortesia, deselegância e uma ética pobre, em que perpassam os excessos, a mania de "se dar bem" e a imprudência nos gestos e atitudes.

Mas outubro chegou, e com ele, chegou também a hora de enchermos a santa de solicitações, de jurarmos à ela que não iremos mais cometer nenhum desatino e de prometermos, ao mesmo tempo, que seremos pessoas melhores, mais educadas, mais respeitosas, mais tolerantes.  Por meio dessas pretensões de reforma íntima nos damos à ela em troca pelo sacrificio, seja puxando a corda, seja andando quilometros a pé até a exaustão, talvez não seja isso que ela queira!!!!

Ora, é hora de assumirmos nossa participação ativa na construção desse pobre mundo. É necessario que reconheçamos que somos protagonistas de nossa história, assumindo que muito do que acontece com a nossa própria vida é produto de nossa própria criação. Não é mais tempo de nos desimplicarmos do sistema como meros receptáculos acefálos dos acontecimentos, em que os fatos acontecem independente de nossa vontade e desejo.

Precisamos tomar um novo rumo, buscando um novo direcionamento:

Aos que dirigem, que parem menos em fila dupla e respeitem os que vêm a trás..
Aos que enfrentam filas, que tenham paciência de esperar a sua vez...
Aos que trabalham, que procurem executar seu ofício com dedicação e competência...
Aos que não gostam de trabalhar, que assumam sua ociosidade...
Aos que mentem, que aprendam a lidar com as suas próprias verdades....
Aos que fracassam, que tenham animo para se reerguer....
Aos que querem se dar bem, que tenham a certeza que um dia vão se dar mal...
Aos que enganam, que aprendam que o principal engano é consigo mesmo...
Aos que controlam e manipulam, que procurem uma psicoterapia para melhorar a sua auto estima...
Aos que provocam, que aprendam a lidar com sua raiva interior...
Aos que prometem, que cumpram com seus própositos...
Aos que projetam, que consigam iluminar seu interior para compreender que são os criadores de suas histórias.


Se pudessemos assumir o controle sobre nossas ações, atos e desejos, talvez... Nossa Senhora de Nazaré tivesse um Círio em que pudesse contemplar, abraçar e cobrir de benções seus devotos.

Viva Nossa Senhora de Nazaré, vamos dar à ela um bom Círio no ano de 2010!!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

De Palavra encatada para Palavra Mágica

Amor pra recomeçar

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo...

E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante...

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...

Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar...

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...

Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem...

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar...


Quem é essa mulher??

É para você, que povoa minha vida e a inunda de sabedoria. Sabedoria que não se ensina, mas que se sente no olhar, nos gestos, nas palavras.
Nada precisa ser dito nem feito, apenas sentido, mas  mesmo sendo sentido, as vezes, é incompreendido.
Dela brota uma grandiosidade, uma transparência generosa que assombra os que não entendem e incomoda os que não são sensíveis, deixando à mostra todo seu íntimo, expondo seu interior, revelando em detalhes toda sua grandeza.
Quem a alcança é feliz. Feliz na sua companhia, feliz porque nesse momento, tem-se a certeza de que há amor verdadeiro e que a lealdade pode ultrapassar qualquer barreira.
Ela existe dessa forma, simples, translúcida, etérea e sensível como a flor. Alcancemo-la.
É para ela que eu escrevo agora, e é com ela por perto, que eu quero viver eternamente.
É para ela que é singela e é à ela, jacqueline, que eu me integro.

Vazio

Ao se sentir vazio, o que fazer?
Quando as palavras não brotam, o que dizer?
Quando os olhos não leem, o que contar?
Quando os cheiros não impregnam, o que sentir?
Quando os ouvidos não escutam, o que falar?

Nada...

Mas como saber que o nada é nada?
Se o nada é dito....ele é tudo

Nada é tudo.


Desisto.
Já tentei de tudo pra me encontrar,
Encontrei o nada....mas qual nada?
Até no nada não me encontrei;
Ele pareceu vazio, sem chão, sem luz.
Que nada é esse que me cerca e me distrai?
Que me ampara mesmo sendo nada?
Mas o que é isso? Cansei de tudo.
Não quero que me peçam coisa nenhuma,
Não vou fazer, não vou contribuir.
Quero que me esqueçam, me deixem, me deixem...
Não quero compreensão, nem reconhecimento.
Quero ficar no nada, continuar no nada.
Não compreendo as pessoas, mas pra que?
Elas não precisam da minha compreensão.
Minha compreensão é nada e nada não serve pra nada.     
E mesmo sendo nada é alguma coisa. Que coisa?
O nada, o nada que preenche meu ser, derrama, transborda
Inunda e contamina quem me cerca.
Será que é mesmo nada? Ou no nada tem tudo?
Tudo que tenho para dar é nada
É vazio, oco, despreenchido é nada.
Nada, nada nada, porém o nada tem tudo.
O meu nada tem tudo.
O meu nada limita minha alma, minha existência.
Ocupa tudo que tenho.

E ainda assim, forte, robusto e encorpado no nada

Me disponibilizarei para continuar

Talvez no nada, ou quem sabe...no quase nada!


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Será que as coisas são tão importantes quanto pensamos??

De repente nos vemos presos numa cilada. Uma cilada mental ,em que nada parece ser capaz de dissolvê-la. Dores, sofrimentos, momentos de tensão. Tudo parece conspirar para que esse estado permaneça, persista, persiga e inquiete. Mas nada como um cicatrizante poderoso para destruir todo esse emaranhado causado pela teimosia, insistência e, porque não, imaturidade dessa submissão.
É ele, o tempo, o cicatrizante.

O tempo...

Ele tira o peso dos acontecimentos;
Dissipa a importancia dos fatos;
Revela  que o aquilo de antes é o nada de agora;
E que o nada de agora será apenas o espaço do aquilo de depois.

É o tempo....

Que circula  arrastando consigo lembranças, sensações e cheiros;
Que tira das recordações o esforço de esquecê-las deixando apenas seu espaço, que antes ocupado, as representam;
Que mostra que o desespero de agora será a experiência vivida de amanhã;
Que tira o som alto dos ouvidos colocando apenas ruidos, as vezes indecifráveis.

É o tempo...

Que cura, que acomada e que dissipa dúvidas;
Que ensina o que foi bom  lá,  e o que não deve ser repetido aqui;
Que  faz deparar com o arrependimento de ter dito coisas que não deveriam ter sido ditas;
Que transborda quando excessivo, mas que acalenta quando é compreendido.


É o tempo....

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Nosso Lar - O Filme

É muito interessante perceber o sucesso do filme "Nosso Lar". Um filme, isso mesmo, apenas um filme que carrega consigo um sentido importante, o de apontar para a resolução do insolucionável mistério que é a morte.
Castigo aos culpados, salvação aos arrependidos. Uma combinação que se arrasta há séculos, no entanto agora, essa temática faz sucesso levando milhares de pessoas aos cinemas para que se confortem um pouco com alguma esperança de que o fim tenha continuação.
Não é de se estranhar esse fenomeno num mundo em que a ciência, a todo custo, tenta subjulgar a natureza impedindo o curso natural da vida. Criando e recriando experiências na tentativa de evitar a morte ela  dissemina em eco a  extensão e a perpetuação da vida.
Não é a toa que corpo, hoje, adquiriu o estatuto de cartão de visita. É por ele que se tem ou não valor e é por meio dele também que se é aceito e validado no mundo.
 O reflexo de todo esse panorama se mostra na evitação do envelhecimento, na tentativa, muitas vezes artificial, de se manter jovem, bonito e saudável.
O corpo nessa perpectiva, tomou uma proporção absurdamente importante para manutenção do trânsito do indivíduo pelo mundo. Ele suplantou a mente e o psiquismo, na medida em que é supervalorizado e que chancela a aceitação do outro.
É pelo corpo que o indivíduo circula pelo social na atualidade, contúdo, o filme "Nosso lar" põe a imortalidade da alma no palco, não é mais o corpo e sim o espírito que sobrevive apesar de manter-se a imagem e semelhança do corpo.
De qualquer forma, o filme trás um consolo por levantar discussão sobre temas que parecem tão ultrapassados como a bondade, a caridade,  e o reconhecimento do outro. Levando a uma constatação, a de que nem tudo sabemos e podemos e que, apesar da tentativa de subjulgação da natureza, a dúvida continuará a pairar sobre nossas mentes.

AS MINHAS CONTAS QUERO ACERTAR COMIGO

Arvores com frutas.
Jardim florido.
Brisa, vento do rio entrando, se espalhando
Tudo poderia ser lindo como se apresenta
E é
Os meus olhos cegam, mas eles vêem
Ignoram
Desprezam
Mas eles, os meus olhos, existem.
Existem pra aquilo que quero ver.
Selecionam minha visão, me confundem.
Enxergam o escuro, o obscuro, a penumbra.
Mas meus olhos vêem
Meus olhos enxergam tudo
Eles querem ver aquilo que podem enxergar
Deixa eles vêem!
Deixa eles selecionarem a visão
As minhas contas quero acertar comigo
Com os meus olhos
Com minha capacidade de enxergar
Resolvi, quero ver tudo
Decidi, me determinei a enxergar o brilho
Vamos nos acertar: eu e meus olhos
Vamos conversar.
Vamos nos entender
Quero ver aquilo que quero
Conhecer os meus olhos
Quero claridade, iluminação, nitidez
Quero encontrar a cor das coisas
O sentido da existência através dos meus olhos
Os meus olhos podem se transformar naquilo que pretendo ser
Eles direcionarão minha existência
Quero claridade, infinitamente branco, nítido e definido
Vou treinar meus olhos para isso
Quero que eles me obedeçam e possam sair de mim naquilo que desejo
Colocando em mim, por eles, a luz
A luz que me revelará e me trará de volta
Assim, tendo meus olhos iluminados, me percebendo
Poderei ver através deles a mim mesmo.

domingo, 12 de setembro de 2010

hoje é domingo

Além de imposta, a propaganda eleitoral é um palco. Palco de artistas que encenam um ato de convencimento coletivo. Temos que nos deparar com frases aberrantes, colocações absurdas, planos mirabolantes e promessas estapafúrdias. A que se deve tudo isso? A que se devem as súplicas de "vote em mim"?
Serão eles todos altruístas? dedicados aos semelhantes?
Gostaria que todos se perguntassem, nesse momento, o que leva um indivíduo a se candidatar? Seria melhorar a vida da população ou a sua própria vida? Seria a porta para multiplicação de seus pães ou a multiplicação desses pães para dividir com os outros?
Acredito sinceramente que não possuimos nenhum candidato disposto a essa divisão, portanto, toda atenção é necessária nesse momento, afinal, vamos ficar sumetidos a vontade desses artistas por 4, 8 anos.
Um novo horizonte só será construído a partir da reflexão e do entendimento desse processo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ver que tudo pode retroceder, que aquele velho pode ser eu.......

A música  "Vermelho" de Vanessa da Matta diz: “O velho gasta solidão, em meio aos pombos na Praça da Sé [...] Ver que tudo pode retroceder que aquele velho pode ser eu, no fundo da alma há solidão, e um frio que suplica um aconchego.”Acredito que os poetas e escritores carregam nas suas palavras aquilo que observam, sentem ou experimentam no mundo. Muito da identificação que sentimos ao ler ou escutar determinado trecho de um poema, de uma música, se encaixa naquele espaço que temos e que ainda precisa ser preenchido para que o novo possa se expressar.

Velho, retrocesso, solidão, fundo da alma são termos comuns na vida de qualquer pessoa. A Solidão é aquilo de que fugimos ao longo da vida, porém lá está ela sempre presente no fundo da alma suplicando realmente um aconchego. Chega uma hora em que há um retrocesso, um virar a cabeça para trás que quando já se é maduro, proporciona um olhar que percorre uma fila imensa de acontecimentos, uns muito bons, outros nem tanto, e outros ainda que pretenderíamos esquecer se pudéssemos.

Somos formados por um aglomerado de acontecimentos, fatos, momentos que vivemos. Transitamos pela vida buscando a “tal felicidade”, todos queremos ser felizes. Por ela, vivemos as mais estranhas experiências. Em nome dela, cometemos as mais bizarras atitudes, alguns grandes desatinos que nos acompanharão permanentemente durante a vida e darão o ar de sua graça sempre que houver oportunidade. Pensar sobre isso é poder realmente retroceder para encontrar parte por parte os momentos em que nos equivocamos. Equivoco sim, pois dependemos exclusivamente de nós mesmos, mas entendemos que para alcançar a felicidade precisamos do outro, que provavelmente é outro, ou melhor, que com certeza é diferente e carrega consigo sua história também.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

"Eros e Psique"

Nada melhor para começar um blog do que a poesia de Fernando Pessoa

"Eros e Psique"


(FERNANDO PESSOA)
Eros e Psique


Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

De além do muro da estrada



Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por o que à Princesa vem.



A Princesa adormecida,

Se espera, dormindo espera,

Sonha em morte a sua vida,

E orna-lhe a fronte esquecida,

Verde, uma grinalda de hera.



Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,

Rompe o caminho fadado,

Ele dela é ignorado,

Ela para ele é ninguém.



Mas cada um cumpre o Destino -

Ela dormindo encantada,

Ele buscando-a sem tino

Pelo processo divino

Que faz existir a estrada.



E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,

E vencendo estrada e muro,

Chega onde em sono ela mora,



E, inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,

Ergue a mão, e encontra hera,

E vê que ele mesmo era

A Princesa que dormia.