domingo, 24 de abril de 2011

A mulher e o controle remoto

Estávamos num barco desgovernado ai a mulher falou: o que vamos fazer agora, aqui, perdidos nesse mar? O carinha que estava com ela respondeu: " o barquinho vai, a tardinha cai"
Segundo a mulher que contou essa história foi assim que surgiu a musica "mega" conhecida "o barquinho". Ela continuou, afirmando que de qualquer situação da vida podemos tirar uma coisa boa.

Eu, em casa, assisti esse epidódio por acaso, com aquela mania que temos de ficar passeando com o controle remoto da tv de canal em canal na hora das propagandas. Fiquei agora pensando nos empresários que investem milhões de reais com propaganda. Eles deveriam fazer uma campanha contra os controles remotos de tv que atrapalham muitas vezes seus investimentos. Já pensou se de repente os empresários resolvessem fazer uma campanha acirrada contra os controles e que com isso eles fossem abolidos. Fico imaginando quantas vezes iríamos nos levantar do sofá para mudar de canal. Seria uma coisa absolutamente estressante. Essas pequenas coisas que, na maioria das vezes, não nos damos conta alteraria completamente a nossa rotina e mudaria de maneira decisiva nossos hábitos.

Mas voltando a mulher da tv que deu um testemunho de como podemos tranformar situações embaraçosas em proveitosas fico imaginando o que de proveitoso as pessoas que peerderam suas casas, suas histórias, seu mundo no tsunami do Japão. Fico também me pereguntando o que de proveitoso ganharam aqueles pais que tiveram seus filhos assassinados na escola, que perderam parte de si inesperadamete e os desabrigados da catastrofe da serra do Rio de Janeiro no inicio o do ano? O que todas essas pessoas ganharam de proveitoso? Talvez amargura, sensação de inutilidade, não sei, mas nada de bom, nem construtivo.

É bom que os empresarios realmente comecem a fazer uma campanha contra os controles remotos de tv para que não corramos o risco de nos deparar com colocações, as vezes, desastrosas. É o que mais ocorre na televisão hoje. A tv transformou-se num curso de pos doutorado em passionalidade. Uma coisa é certa: pensar faz bem!! Mas pensar implica em conhecimento e principalmente em descolamento de si para avaliar os fatos. A televisão, além de tudo, contribui para a pieguisse generalizada, cria mitos e horois, destroi a possibilidade de analise, com o minimo possivel, de imparcialidade dos fatos e acontecimentos. O bom seria que a televisão não contribuisse para a burrice e ignorância do povo.

Prisão

Podemos, vez por outra, relaxar e mudar completamente. Sair de dentro de nossos reconfortantes refúgios e passear por lugares outros. Lugares em que o rigor das palavras, a cobrança social afrouxa seus laços permitindo o fluir livre e solto das palavras e das atitudes.
Buscar a estética e os pensamentos pausadamente pensados um por um cansa. Cansa também, buscar ser admirado, ser elogiado, ser homenageado. Chega uma hora, em que tudo pode ser do jeito que queremos que seja.

Imagino-me agora, completamente liberto desses eixos temáticos que limitam a minha vida e me colocam dentro de um regime social da corretice da boa prática. Coloco-me agora fora dos limites, qualquer que eles forem, autorizo-me momentaneamente a abolir qualquer estética que me impulsiona ao raciocinio e me impede o livre curso do pensamento. Busco tudo isso, para encontrar em mim algo que também desconheço, algo que nunca me visitou e que, no entanto, clama pela necessidade de passagem.

Devo deixar que tudo venha, devo deixar que os nós se desatem e que com eles frouxos escapem sensações e sentimentos perfeitamente possíveis. Preciso deixar que as despreocupações me invadam e que os domingos sejan de nada, sejam sem horas disso ou daquilo, que as horas corram, corram sem que a chegada seja esperada.

Quero que seja assim, quero que minha escrita se transforme num amontoado de ideias absolutamebte desconexas onde o que eu queira exprimir se desapegue de qualquer pensamento sistemático e disciplinado.

Não as obrigações, poderia enumerar um "quinquilhão" delas. Poderia também torná-las todas, absolutamente inúteis, absolutamente dispensáveis. Poderia demolilá-las uma a uma e ainda assim me encontrar pelas encostas espreitando, querendo todas de volta, querendo novamente todas ao meu redor cumprindo-as uma a uma sistematicamente.

É, falhei mais uma vez!!!!!

A Solidão

A solidão é as vezes necessária, ela reproduz momentos esquecidos, reconduz situações para os seus lugares e traz a tona sensações e sentimentos esquecidos. Penso hoje, que foi por causa dela que cometi alguns desvios de rota. Não que eles não fossem necessários, mas eles poderiam ser reformulados. Por ela, muitas vezes dormi na sacada de minha casa, evitava o quarto fechado, escuro e frio achando que a paisagem natural, entre estrelas, nuvens e lua, pudesse aplacá-la. Não entendia naquela época que ela me acompanharia por todo meu percurso. Buscava evitá-la construindo refúgios só meus, onde elaborava planos em que permanecia sempre acompanhado, impedindo sempre meu encontro comigo.
Até nos momentos que me punha entre o céu, com estrelas e nuvens, imaginava que me sentia mais aconchegado e mais protegido dela. Como pude por tanto tempo me manter afastado dela? Como pude deixar de experimentar seus efeitos e recusá-la em tantas vezes que ela veio me visitar? Hoje nos relacionamos harmoniosamente, até chamo por ela algumas vezes e sempre ela retorna me retribuindo, dando-me a capacidade de reconhecer a minha fortaleza. Sim, é isso mesmo, a solidão me fortificou, me trouxe a desesperança, e me mostrou que a espera por alguma coisa que pode nunca chegar faz o tempo correr sem desfrute. Ela também, me desamparou, aplacou minha necessidade de completude, me colocou, de qualquer forma, em contato com aquele que sempre vai me acompanhar.