domingo, 29 de setembro de 2013

Um olhar, uma luz

                         


Ao olharmos atentamente uma coisa podemos encontrar brilho, cor, textura e detalhes que só quem vê com os olhos da alma pode enxergar. A beleza transcende opiniões e juízos, ela pode existir apenas por uma fresta de luz. Basta que a enxerguemos!!!

sábado, 28 de setembro de 2013

Escrever









A escrita me proporciona uma reviravolta interior. Encontro comigo quando escrevo, revisito sentimentos, lavo e desinfeto sensações, revivo e ressinto situações.
A escrita tem força e poder de reestruturar minha alma, por ela crio castelos, visito pomares, ando por trilhas, pinto com cores diferentes e crio, crio incessantemente. Minha mente me proporciona fugas necessárias, escapadelas momentâneas que me salvam da sanidade do cotidiano e que me levam a lugares inimagináveis no campo da realidade.
Escrever me tira o peso da repetição e o temor da angústia. A escrita me proporciona transgredir, rever e reverter fatos, recriar e transformar momentos.
Escrever, dessa forma, revigora e renova e ocupa o lugar do vazio deixado pelas falhas da realidade.

domingo, 14 de julho de 2013

Lamentos






a minha não foi boa
o que fazer? chorar ou sofrer?
não sei, me construí a custa de pesos e lamentações
e já entendi isso

sou  o agora por intermédio dessa construção
cresci por entre entulhos e ressentimentos
arrastei todos até quando pude
mas o peso fez com que os derrubassem

quero ser arrebatado, levado mesmo
quero que me desnudem a alma
quero que os entulhos transbordem
quero que eles derramem e se espalhem entre os arredores

compreender o abandono me fez serenar
me fez entender a necessidade de desatar os nós
trabalhosos e apertados, desatei-os mesmo assim
afrouxei e relaxei

pude, enfim compreender, desde então
que os pesos, as lamentações
os entulhos e os ressentimentos
me trouxeram para ser quem sou
eles me fizeram um espelho em que posso refletir a minha alma

e....sou feliz por isso





A comercialização da dor











Parei de sofrer!!!

Me encontro, temporariamente, naqueles momentos em que a dor cessa
Parece que ela adormeceu e se esqueceu de mim
Ela me deixou repentinamente, me esvaziando e despovoando meus pensamentos
Não me encontro em sofrimento mais 
Abandonei um a um os textos de auto ajuda, não preciso mais deles
Abandonei esses textos miraculosos que descrevem pormenorizadamente o caminho da gloria
Esses textos que dizem exatamente o que queríamos ouvir de nós mesmos, mas que pela dor somos impedidos de escutar
Não leio mais as frases piegas que dizem que temos que ter amor no coração para seguir o percurso da paz e da alegria
Entendi, agora, que essas frases existem porque a dor é considerada intrusa no humano
Entendi, também, que para alguns a dor arrebata a lucidez interior 
Que ela nubla e obscurece os pensamentos produzindo pessimismo e amargura
E entendi, finalmente, que a comercialização da dor acabou para mim
Sim, comercialização da dor por meio dos livros de auto ajuda
Compramos livros de auto ajuda e otimismo quando precisamos encontrar palavras que falem com a nossa dor 
Que digam a ela para ir embora
Que peçam que ela diminua e cesse repentinamente
Que encontrem uma explicação para sua presença em nosso interior
E quanto mais desconhecermos a nossa própria dor,  mais enriqueceremos os escritores de auto ajuda e mais ajudaremos na comercialização da dor
A escrita vazia, piegas e aconselhadora dos livros de auto ajuda não serve para nada
Somente para enriquecer os seus autores
Para eles, as nossas fraquezas e sofrimentos são um bem precioso para capitalizar.
Afinal, todos sabemos de antemão que....atras do arco iris não existe um pote de ouro
Só amadurecem os que sentem dor, para os que a tem como aliada, e que sabem encontrar nela algo produtivo que possa ser transformado em experiência....

um olhar, uma luz
ou um par de pérolas, mesmo sendo azuis
sou seu e te devo por essa riqueza....







domingo, 7 de julho de 2013

a moça do sonho



     Estava passeando, subitamente olhei para o lado. Vi, então, por entre as folhagens uma moça vestida de bailarina. Imaginei de imediato que era um sonho, a moça do sonho. Antecipei mentalmente aquela imagem, quis a imagem para mim. Apontei a câmera para capturá-la. Tinha que ser rapidamente para que o flagrante se consumasse. Eis o resultado, a moça do sonho se eternizou pela fotografia.

Eu também quero usar o avião da FAB, preciso conhecer Fernando de Noronha com minha família

     






                      Sou Brasileiro, trabalhador, pago meus impostos, me considero honesto, solidário, leal e cumpridor dos meus compromissos. Nunca roubei, nunca usei nada de ninguém,  nunca me apropriei de nenhum objeto que não me pertencesse. Pago religiosamente, todo ano, Imposto de renda, IPVA de carro, luz, água e colégio de filho, compro alimentos em supermercado e trabalho com afinco para manter minhas contas em dia, mas como Brasileiro, eu também, como o presidente do senado e da câmara, quero usar o jatinho da Força Aérea Brasileira pois preciso conhecer Fernando de Noronha com minha família. Será que posso??
       É horrível saber que somos comandados no senado federal por um presidente que usa bens que não lhe pertencem em proveito próprio. Que credibilidade um ser dessa natureza pode ter? Um ser que se julga superior por ser presidente de uma casa em que se decidem os interesses, inclusive os financeiros, dos estados e distrito federal desse país? Que seriedade podemos esperar de uma pessoa com essa índole maligna? É lamentável que depois de tantas manifestações populares, esses Senhores ainda possam exercer indignamente o cargo que ocupam.
        Os meios de comunicação falam constantemente de protestos pacíficos, todos os repórteres e comunicadores repetem incessantemente que as manifestações precisam ser sem violência. Eu pergunto: e a violência que esses políticos cometem diariamente, roubando, se apropriando, obtendo vantagens e caçoando solenemente da cara do povo? Isso não é violência também? Não é violência o salário que eles recebem e as mordomias que usufruem por ocupar um cargo, ao qual estão, à custa do povo?
      Fala-se constantemente que o crack virou uma epidemia. Qual nome se dá a essa doença dos políticos carreiristas e que só querem obter vantagem a custa do que não lhe pertencem?
   Só para quebrar o gelo, higienizar significa limpar, descontaminar, talvez os políticos desse Brasil precisem mergulhar em toneis de alcool a 70%, o mais potente descontaminante que existe,  ou eles se limpam de vez ou o povo vai riscar um fósforo e queimá-los junto com sua desonestidade, seu desejo de poder, seu desejo de enriquecer ilicitamente, seu desejo de enganar o povo e acima de tudo por sua traição ao cargo que lhe foi confiado.
        



domingo, 24 de março de 2013

Perdão! mas pra que?

Suponhamos que todos pudessem perdoar. Todos a partir de agora esquecerão suas mágoas e desculparão aos que julgam responsáveis por seus sofrimentos. Como seria isso? O mundo ficaria melhor? Perdão é des-culpa, é retirar do outro a responsabilidade de um sofrimento, é libertar o outro dessa responsabilidade, é dar-lhe a carta de alforria psíquica eliminando a culpa que o outro carrega por ter cometido um ato que o abalou de forma a acarretar ressentimento. Sentir, sentir e sentir. Sentir várias e inúmeras vezes, assim vive aquele que foi magoado. Pensar, pensar e pensar, repetidas vezes sobre a causa do dissabor. Recordar, relembrar, reviver o que o outro lhe causou  de sofrimento, esse é o sentimento e o oficio do magoado.
É curioso poder pensar qual lugar a mágoa ocupa dentro de nós, em que parte ela se instala. Que espaço ela ocupa dentro do sofredor que faz com que ela floresça e se dissemine causando tanto transtorno? Ao mesmo tempo qual o tamanho do lugar que damos ao outro que autoriza que um ato seu nos cause tanta dor.
Nota-se logo que nesse par há uma relação de pertencimento. Há uma ligação importante que faz com que o seu ato, o seu comportamento tenha uma repercussão gigantesca e aniquiladora sobre o outro. Eles estão tão ligados que esse sentimento é capaz de atravessar dias, meses, anos ou décadas de infinita amargura e decepção.
Por outro lado aquele que causou a mágoa vive constantemente envolvido pela culpa, pelo remorso e muitas vezes, pelo arrependimento de ter cometido um ato que foi capaz de provocar tanta devastação. Os subprodutos com certeza virão: ódio, raiva, desprezo, desejo de vingança e por ai vai. Há de forma notória uma relação de poder entre esses dois. Obviamente o lugar que o que magoa ocupa dentro do magoado representa uma parte importante de seu eu. Ele retira do outro a capacidade da tranquilidade e inaugura o lugar da amargura. Por isso é uma relação de amor. É um casal que se engana, um filho que responde mal ou vai embora, um amigo que troca de amizade, um companheiro de trabalho que muda de emprego. Exemplos corriqueiros e banais, mas que encerram situações de troca, de mudança, de alteração. E o que fica? Esse se sentirá ofendido, traído, trocado, esquecido, abandonado, machucado.
É bonito e importante dizer tudo isso, faz pensar e é fundamental para o reconhecimento da dependência, da necessidade que temos de um outro por perto. É eficaz dizer tudo isso para identificarmos em nós esse vinculo, esse pertencimento, essa união indissolúvel que estabelecemos com qualquer outro que nos confirme.
Ao nos depararmos com essa falha, deixaremos muito provavelmente os escudos caírem, as defesas serem destruídas e partiremos para o perdão.
O perdão,a partir daqui, seria a via a ser seguida, seria o reconhecimento da falha, a identificação de que o  espaço esta vazio que antes era o outro ocupava esse espaço dentro de nós, e que agora a dor preenche acompanhada pelo ressentimento pelo des-amor. O perdão recolhe a dor e trás de volta o vínculo.
Optemos pelo perdão, pelo perdão em nosso favor, pelo perdão pela identificação da impotência que carregamos para sempre.
Perdoar pode não significar reconciliação mas com certeza significará libertação.

Dias de Gloria!

Pois bem! Se até aqui chegamos estamos satisfeitos...
Encontramos nessa jornada recompensas de uma vida bem vivida
De uma vida em que pudemos construir espaços sólidos...
Ultrapassamos os percalços
Superamos os dissabores
Corremos para encontrar a paz
E o que tiramos de tudo isso?
Que a jornada pode ser dura, mas quando pintadas com as cores da maturidade
Adquirem um tom equilibrado e levemente confortável
Descobrimos que viver, acima de tudo, é superar dia após dia
Os sentimentos truculentos
viver é procurar o conforto na suavidade e maciez
No entendimento e na compreensão do outro
Mas, fundamentalmente, na busca de si
Na busca daquilo que podemos encontrar de nós mesmos
No reconhecimento de si enquanto o principal agente de toda essa construção.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Bandeiras! Inúteis, eu acho....



o mundo diz vai
e eu não vou
pouco me interesso pela direção da enxurrada
resisto, me impeço
prefiro não fazer coro, opto pelo silêncio
a observação, o visual me atraem, me emocionam e arrebatam
decido sempre pelo pensamento, pelo passeio das ideias
visito cada uma delas, preciso revê-las e repensa-las 
as bandeiras, elas sim me amedrontam
sou convicto de que a via é do particular para o coletivo
entendi que sobre a enxurrada subjaz, disfarçadamente, o poder
compreendi, por isso, que o poder é o combustível da unanimidade
reconheci que a unanimidade privilegia, favorece
não os que levantam a bandeira
mas os que são o estímulo do levante
apenas eles, somente eles, se beneficiam
os fatos manifestam a realidade
o mundo se revela aos que querem enxergar
mas os olhos permanecem fechados, nublados e cegos
a clareza se dissipa, ela se dilui num mar de arrogância 
o desejo primitivo surge como ímpeto para a consagração
bajular é preciso
se manifestar enobrece, retira o ser do obscurantismo
marca a presença
pontua a existência
nomeia o anonimato
nesse tropeço, surge desde então, a arrebatadora força
a voracidade se materializa
como uma via disfarçada para o gozo
que perseguido, nos encontra com a morte
é o esperado fim, ele chegou
e, no entanto,é o inicio de um recomeço
eu clamo e proclamo...vamos derrubar as bandeiras
vamos derrubá-las solenemente com golpes de machado
na mais absoluta paz e tranquilidade
vamos destruí-las todas, elas são inúteis, desprezíveis 
completamente desnecessárias
elas são ineficientes
imprudentes
inconsequentes
infrutíferas
elas denunciam o mais primitivo dos sentimentos
aqueles tão rudimentares que incitam a destruição
optemos por nós mesmos
optemos pela ocupação do interior
vamos ocupar nosso interior
trazer pra dentro dele impressões do mundo 
impressões colhidas com olhares
eu, de minha parte, escolhi a beleza e a contemplação
a beleza que impregna o olhar
marcando e fundando um lugar eterno 
indestrutível
prefiro contemplar à discutir
prefiro também, observar a ter que relatar
contemplar e observar colocam o eterno em mim
arrumam o meu espaço interior
inauguram um território duradouro, sólido
e só meu 
que busco quando eu quero
lá, nesse território eu me encontro com a minha construção
com a minha produção...
lá, eu encontro, o que eu recolhi com os meus olhos
lá, eu encontro a beleza 
as memórias
as lembranças
as recordações
todas minhas, somente minhas
duradouramente minhas.




terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

encontro







de repente como num lampejo que surge
me encontro aqui novamente
diante de mim
à procura de uma pista, um sinal
que me mostre o caminho de um encontro...
um encontro comigo

de repente, como que subitamente
me acho confortavelmente instalado
diante de ideias e pensamentos
todos eles disponíveis para o meu acesso
só assim encontro um residuo de mim

de repente sou invadido por uma fagulha, que me descreve
e me conta, pormenorizadamente, sobre mim
ela me diz claramente sobre mim
e consigo decifrar desde então
o que de mim me coloca no mundo

um mundo criado, enfeitado e cheio de nuances
um mundo que para mim, muitas vezes é asséptico
um mundo preparado e denunciador de formas e estilos
um mundo que diz o que fazer e com quem fazer
um mundo que pouco interessa e pouco floresce em mim

encontro assim, o poder
poder que tanto acossa o homem
colocando-o num lugar fantasmatico de um paraíso 
numa posição de superioridade utópica e ao mesmo tempo atraente
poder que obstrui os canais da consciência
poder que instaura um lugar emprestado, supersticioso e megalomaníaco 

decifro, então, que o poder é oco, desocupado
decifro que ele se manifesta sob uma nuvem de crueldade
decifro que para mim ele engana, embola, tropeça e derruba
desisto dele porisso... e decididamente, resolvo que prefiro a simplicidade e a candura

encontro logo depois a necessidade de aproveitar
a necessidade que o mundo impõe de implodir
de que tudo deve entrar com uma veemência invasora e dilacerante
declino também desse imperativo por considerá-lo atravessado, incipiente, vazio

declino também das festividades
elas me apavoram e me assombram
percebi isso depois do vazio que encontrei após visitá-las
e novamente reconheci meu fracasso perante elas

encontro-me portanto, repleto daquilo que escolhi
do que que considerei viável para meu percurso
recauchutei minhas ideias originais
revi-as uma a uma
dissequei-as para encontrá-las

assim, pude perceber que eu, mesmo sendo quem sou
posso ser outro
desatrelado
desvinculado
desinteressado
e até mesmo destemido

denuncio tudo pra mim
consigo decidir aquilo que me faz eu
decido porque exercitei minha conversa interior
decido porque me descobrir como inovador
decido por conseguir não apenas rejuvenescer o meu corpo, mas sim rejuvenescer as ideias, os pensamentos, as atitudes.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Já sei olhar o rio por onde a vida passa...

E quando chega o final do dia nós nos encontramos, nos olhamos, trocamos algumas palavras e refletimos sobre o quanto nos mantemos juntos e separados ao mesmo tempo. Estamos juntos, inseparáveis, durante todas as horas do dia e da noite, mas pouco nos damos conta das novas marcas que surgem em nossos rostos, das expressões de nossos olhares, do tom da nossa voz, nem tampouco das nossas formas de sorrir. As vezes, até nos estranhamos quando olhamos no espelho e nos enxergamos, quase sempre nos desconhecemos. 
É quando esse encontro torna-se surpreendente pela ausência que devotamos a nós, pela falta de reconhecimento de que nós mesmos somos a nossa principal companhia. Seria interessante se reconhecêssemos que cabe a nós a primeira responsabilidade e que o outro nos enxerga exatamente por meio daquilo que produzimos e emitimos. Diz-se que "primeira imagem é a que fica", e essa, quem tece somos nós. Precisamos definitivamente assumir essa responsabilidade, assumir que antes de tudo somos nós que podemos decidir sobre nós.
Antes que responsabilizemos o tempo, o mundo, as pessoas devemos devotar a nós o direcionamento de nossas decisões e escolhas para podermos descomprometer os outros de nossas atitudes.
Deixemos os outros como nossos espectadores, como contribuintes de nossas atitudes, apenas contribuintes, mas nunca causadores de nossos atos e comportamentos.
Se conceber individual, sozinho e dono de nossos próprios atos é a melhor forma de nos aproximarmos das pessoas transmitindo leveza e suavidade.

Exercite, você consegue.....