O exercício do controle colocado em prática por algumas pessoas revela o quanto de fragilidade elas tem. Incapazes que são, de se manterem ligadas por meio de vínculos saudáveis, em que as diferenças são consideradas.
Dois contrapontos se manifestam nessa tragetória: o controle e a fragilidade.
Apesar do controle parecer uma atitude de poder, ele participa do repertório de pessoas fracas e impotentes. Impotentes, quanto a sua capacidade de manter o outro por perto de forma desacorrentada. Impotentes também, por necessitarem do uso da força e da manipulação para manter o outro subjugado.
O controle, dessa maneira, se manifesta dentro das várias relações de poder que criamos ao longo da vida: mãe e filha, pobre e rico, empregado e patrão, médico e paciente, amante e amado,só para citar alguns.
É evidente que essas relações se configuram unilateralmente, a partir do ponto em que o controlado ajustará seus atos e atitudes dentro do contexto do poder, tornando-se objeto desse controle. Nessa medida, o controlado aparecerá como ressentido e magoado por estar impossibilitado de se expressar. Fará coisas em favor de seu pseudo pertencimento ao outro, deixando de demonstrar seus desejos, suas vontades e, muitas vezes, suas necessidades serão submetidas ao poder do controlador. Como resultado, teremos a negação e o impedimento da diferença, terminando em aniquilamento e encolhimento, impedindo assim, qualquer possibilidade de expressão dos desejos do controlado.
É comum que dentro do âmbito da educação dos filhos algum controle seja imputado, principalmente os que delimitam espaço e impõem limites. Necessário se faz, entretanto, que os pais tracem com cautela esse percurso, levando em consideração, que são os pais os responsáveis pela trajetória inicial dos filhos.
No entanto, é preciso que aqui também, as diferenças sejam discutidas. Filhos e pais são diferentes. A discussão em torno dessa diferança deverá ser evocada dentro dos limites de respeito e tolerância possibilitando a emergência dos desejos dos filhos e evitando as relações de submissão, em que a voz de uns (os pais) se sobrepõem sobre o "querer" dos outros (os filhos), contúdo, não é isso que ocorre geralmente. Encontramos no dia a dia pais oriundos de relações mal estruturadas que consequentemente irão re-produzir esses mesmos modelos relacionais. Esses pais, provavelmente irão tentar impor seus pensamentos, por meio da força, fechando os ouvidos para o dialógo e para o encontro da diferença como consequência produzirão filhos: ou revoltados, ou conformados, ou silenciosos, ou dissimulados ou infelizes.
É bom que se pontue que esses pais, ditos "mal resolvidos" transmitem esse "mal" aos filhos que por sua vez, transmitirão aos que o circundam e provavelmente estarão aptos a transmitirem toda essa herança aos seus descendentes, virando um círculo vicioso que deverá ser interditado.
Aposto na fragilidade dos controladores por considerar que o uso da força, seja ela qual for, impede o dialógo. Sem o dialógo não há suporte para a escuta da diferença. A falta de suporte dessa escuta revelará a fragilidade do ser do controle, demonstrando o quanto cada palavra, atitude, ato ou gesto poderá demolir com sua vitalidade e com a sua certeza de poder, revelando sua total fragilidade.
Essa total fragilidade mostrada pelo controlador revela sua impotência frente a vida. Sua impossibilidade de aceitar o outro na diferença.
Como podemos nos deixar ser pais, sabendo que geraremos outro ser diferente de nós? Quem não tomar consciência dessa verdade, que tenha a delicadeza de não ter filhos, que tenha a decência de conviver sozinho com suas agruras e amarguras. E quem, ainda assim, tenha filhos que trabalhe para libertá-los de seu jugo.
É o que de melhor os pais podem fazer por seus filhos, já que eles não pediram para nascer: fomentar a liberdade e favorecer a escuta das diferenças e tudo isso sem "pitis"....por favor.
E a você que hoje eu vi com os olhos vermelhos que os ilumine com brilho de meu amor: livre, incondicional, límpido e transparente como o Mar azul. Como o Mar que te deu o nome!!!!!