segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Carolina

Carolina, mulher verdadeira dos cabelos ondulados, por que não existe?
Carolina, mulher sorridente dos dentes iluminados, por que não mentiste?
Teus dentes, Carolina, deixam transparecer a tua alma, uma alma carregada de desalento
Uma alma que viceja o fel do que te vai pela mente  subvertendo a impressão de quem te vê.

Oh!!! Carolina, deixa falar a tua boca, mostra teus dentes alvos repletos de brilho
Que brilho pode te assaltar sem que tu queiras?
Entende o caminho tortuoso que escolheste, tenta ultrapassá-lo
Oh!!! Carolina, ousa com a tua boca dilacerante arrebatar
Leva contigo os que te rodeiam, deixa-os hipnotizados pela tua perspicácia

Mas Carolina, sei que já te disseram muito do que não querias ouvir
Ouve, mulher, sem reclamar e engole todos os inúteis conselhos que ja te derem
Mete-os, todos eles, dentro de uma gaveta e fecha com chave enferrujada
Deixa a ferrugem inundar a tua boca estragada pelo veneno que circula nos teus vasos.

Ouve Carolina, te acorda e te recompõe
Te põe de pé, te ergue, segue teu caminho tortuoso
Por entre arbustos coloridos que teus olhos somente enxergam quando estas dormindo
Acorda Carolina, deixa que um raio distante te penetre os olhos obscurecidos pelo odor fétido da tua imaginação
Olha ao teu redor,  sente que só o despossuido objeto que te cerca é o que te salvará

Te salva Carolina, te entrega de uma vez à brancura de teus dentes
Deixa que o rochedo que te limita o coração se transforme em areia branca escorregadia
Deixa que pelo teu corpo, essa areia se arraste limpando a tua alma das tuas marcas
Só assim Carolina, pelos males que te inundam, poderás, talvez, estender a mão.