sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ver que tudo pode retroceder, que aquele velho pode ser eu.......

A música  "Vermelho" de Vanessa da Matta diz: “O velho gasta solidão, em meio aos pombos na Praça da Sé [...] Ver que tudo pode retroceder que aquele velho pode ser eu, no fundo da alma há solidão, e um frio que suplica um aconchego.”Acredito que os poetas e escritores carregam nas suas palavras aquilo que observam, sentem ou experimentam no mundo. Muito da identificação que sentimos ao ler ou escutar determinado trecho de um poema, de uma música, se encaixa naquele espaço que temos e que ainda precisa ser preenchido para que o novo possa se expressar.

Velho, retrocesso, solidão, fundo da alma são termos comuns na vida de qualquer pessoa. A Solidão é aquilo de que fugimos ao longo da vida, porém lá está ela sempre presente no fundo da alma suplicando realmente um aconchego. Chega uma hora em que há um retrocesso, um virar a cabeça para trás que quando já se é maduro, proporciona um olhar que percorre uma fila imensa de acontecimentos, uns muito bons, outros nem tanto, e outros ainda que pretenderíamos esquecer se pudéssemos.

Somos formados por um aglomerado de acontecimentos, fatos, momentos que vivemos. Transitamos pela vida buscando a “tal felicidade”, todos queremos ser felizes. Por ela, vivemos as mais estranhas experiências. Em nome dela, cometemos as mais bizarras atitudes, alguns grandes desatinos que nos acompanharão permanentemente durante a vida e darão o ar de sua graça sempre que houver oportunidade. Pensar sobre isso é poder realmente retroceder para encontrar parte por parte os momentos em que nos equivocamos. Equivoco sim, pois dependemos exclusivamente de nós mesmos, mas entendemos que para alcançar a felicidade precisamos do outro, que provavelmente é outro, ou melhor, que com certeza é diferente e carrega consigo sua história também.