domingo, 24 de abril de 2011

Prisão

Podemos, vez por outra, relaxar e mudar completamente. Sair de dentro de nossos reconfortantes refúgios e passear por lugares outros. Lugares em que o rigor das palavras, a cobrança social afrouxa seus laços permitindo o fluir livre e solto das palavras e das atitudes.
Buscar a estética e os pensamentos pausadamente pensados um por um cansa. Cansa também, buscar ser admirado, ser elogiado, ser homenageado. Chega uma hora, em que tudo pode ser do jeito que queremos que seja.

Imagino-me agora, completamente liberto desses eixos temáticos que limitam a minha vida e me colocam dentro de um regime social da corretice da boa prática. Coloco-me agora fora dos limites, qualquer que eles forem, autorizo-me momentaneamente a abolir qualquer estética que me impulsiona ao raciocinio e me impede o livre curso do pensamento. Busco tudo isso, para encontrar em mim algo que também desconheço, algo que nunca me visitou e que, no entanto, clama pela necessidade de passagem.

Devo deixar que tudo venha, devo deixar que os nós se desatem e que com eles frouxos escapem sensações e sentimentos perfeitamente possíveis. Preciso deixar que as despreocupações me invadam e que os domingos sejan de nada, sejam sem horas disso ou daquilo, que as horas corram, corram sem que a chegada seja esperada.

Quero que seja assim, quero que minha escrita se transforme num amontoado de ideias absolutamebte desconexas onde o que eu queira exprimir se desapegue de qualquer pensamento sistemático e disciplinado.

Não as obrigações, poderia enumerar um "quinquilhão" delas. Poderia também torná-las todas, absolutamente inúteis, absolutamente dispensáveis. Poderia demolilá-las uma a uma e ainda assim me encontrar pelas encostas espreitando, querendo todas de volta, querendo novamente todas ao meu redor cumprindo-as uma a uma sistematicamente.

É, falhei mais uma vez!!!!!

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