E os grilhões do casarão se romperam deixando à mostra, pela imponente contrução, a figura de uma bela jovem que com seu olhar iluminado penetra profundamente por entre os raios de claridade que irradia em cada olhar.
Ah!!! Como essa mulher, que carrega consigo um estado de animo contagiante, consegue arrebatar.
Tudo se transforma com seu olhar, com suas palavras, com seu sorriso. Dizem alguns: "É, ela amadureceu", dizem outros: "como ela cresceu e ainda assim, mantém seu olhar inocente mas decidido sobre os fatos do cotidiano". É!!! Ela se transformou, ou melhor dizendo, se depurou!!
De menina pequena que era, prisioneira e controlada,só recebia. Recebia e recebia informações e aprendia, experimentava, selecionava, chegava a descartar umas e guardava outras. Guardava aquilo que de mais importante conseguia assimilar.
A menina dos olhos iluminados hoje tornou-se uma mulher. E eu, daqui, apreciando esse percurso, tenho a sensação mais que plena de eficácia. O meu produto deu certo, é viável, já desabrochou e agora salto a um outro momento, o da contemplação e da admiração.
Antes, quando ela ainda habitava o casarão, o medo do desconhecido para ela, me assaltava. Quem será ela? Como ela ficará quando sair? E depois, como será? Hoje ela está frutificada, ela transmite docilidade, ela me arrebata pelas suas palavras, pela sua capacidade de lucidez que muitas vezes me faltou.
Eu conheci as duas, recebi a menina em meio a tremores e emoções. No primeiro contato titubeei, hesitei e me emocionei diante da certeza do reencontro. É!!! foi essa mesma a sensação, a de reencontro. A partir dai, cada atitude, cada gesto, eram direcionados à ela, somente a ela. Vivi por um bom tempo circundado por ela, me adaptando, conhecendo-a. Nos entendemos imediatamente, nos acompanhamos, nos olhares conseguiamos trocar as mais íntimas confidências. Vivemos, exautivamente, uma relação em que não participavam juizos, cobranças, esforços e cansaços. Vivemos dessa forma, eu e ela, um fazendo companhia ao outro e nesse convívio nos alimentavamos de palavras, de olhares, de trocas de carinho. Eu com um suposto conhecimento sobre a vida e ela como aprendiz dedicada e atenciosa. Foi assim por um bom tempo, até que, tivemos que nos separar. A certeza que dou é a de que essa separação foi o momento mais tenebroso que pude experimentar de amargura, de tristeza, mas ainda que triste, pude deixá-la com aquilo que ela nunca mais perderia, com o que a vai acompanhá-la permanentemente, com o amor mais puro que aprendi a receber e que lhe doei dia após dia da nossa convivência.
Hoje ela é uma moça viável, que vive entre dissabores e alegrias e eu por perto a admirá-la e a incentivá-la a continuar nesse caminho.
Eu agora a reencontrei, depois da lacuna necessária, em que ela me deixou. Ela precisava passear por esse mundo, precisava experimentar o que recebeu e atestar a viabilidade dos ensinamento. Ela foi embora, me deixou por um tempo, muitas vezes com o coração despedaçado, mas sempre com a certeza de seu amor.
Fiquei, algumas vezes, desolado, mas minha desolação conformada me fazia compreender a necessidade dessa libertação, me retrai e esperei a sua volta. Não a volta da menina, essa eu sabia que não retornaria. Essa, a menina, eu guardei na minha alma, ela permanece comigo nas minhas lembranças, sem nostalgia, mas com uma imensa saudade, ela habita minhas recordações. Eventualmente ela me reconforta com lembranças, outras vezes a reencontro na mulher, nos gestos de amor que ela me atribui.
Eu a deixo ser assim, o amor dela é natural e espontâneo. Ele é porque existe, e não porque tem que ser. Não tem que ser, nada da ordem da imposição e de trocas mas sim da ordem da admiração, do deixar brotar.
Hoje ela é outra, hoje ela é exuberante, vem me visitar, me traz palavras lucidas. Algumas vezes quando ela vem, ela traz com ela, a menina, outras vezes ela vem sozinha, mas todas as vezes que nos encontramos percebemos que por tudo e acima de tudo o amor existe.
E os grilhões?, sim, esses se romperam, e,tinham que arrebentar. Foi necessária essa ruptura, por ela pudemos reeditar aquele amor um tanto simbiotico para dar luz a um outro, independente, desatrelado, liberto, mas permanente.
Recebo-a agora para uma nova etapa, em que permeados por esse amor renovado poderemos caminhar lado a lado nos amparando sempre.