quarta-feira, 14 de março de 2012

Covardia Interior

Novamente devo me conformar
Denovo devo me recolher para entender
Entender o que eu já sei e oculto
Desocultar o já sabido ou fingir desconhecer o conhecido?


Talvez um ou talvez outro
Entretanto, tanto um quanto outro salvam
Salvam do desprazer de se defrontar com a peste que assola o interior


Então.....


Mais acertado para os covardes é a negação do saber
Ele  coloca em risco a bondade artificialmente preparada
O saber desabrocha o desconhecido escondido embaixo de uma infinidade de camadas
Que quando destruídas expõem a grande fragilidade dissipada por entre suas bordas


Fragilidade não relacionada com fluidez mas com falta de lucidez
Para encontrar dentro de si a podridão guardada e disfarçada.


Enfim......

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Triste Constatação

Por um instante um turbilhão de pensamentos me assaltam. Estava dirigindo, de repente, vejo um homem atravessar na minha frente. Fico então a imaginar quantos anos teria aquele homem. Será que tinha 65, 67 ou 70 anos? Não soube responder. Pensei, porém, que talvez ele não tivesse idade de ser meu pai. Comecei imediatamente a fazer contas, eu estou com 46 anos se o tal homem tivesse 65 anos, possivelmente eu teria nascido quando ele tinha 19 anos, ou 21 anos ou 24 anos. De qualquer forma ele seria um pai muito novo para mim.
Imediatamente me senti velho, senti que já não dava para imaginar que qualquer homem maduro que eu visse na rua, pudesse ser ou ter idade para ser meu pai. Senti o peso da idade e com ela a invasão inevitável da minha maturidade. Fico as vezes pensando como se sente meu pai quando vê o anúncio da copa de 2014. O que passará pela mente de uma pessoa que já está em volta dos 70 anos com as noticias de acontecimentos que se realizarão daqui a 4 ou 5 anos? É interessante pensar nisso e concluir que apesar de sabermos que todos nós vamos morrer, sem importar a idade, que o correr do tempo nos coloca numa posição de alerta constante, no lugar de uma aproximação que queremos nos distanciar.
Tudo nesse mundo vai ao desencontro do fim. A todo momento negamos o fim da existência. O mercado ganha incessantemente com isso. Mil promessas mirabolantes são feitas a cada dia com a finalidade de nos distanciar do fim. Medicamentos, procedimentos, comportamentos, atitudes, hábitos são constantemente "descobertos", "inaugurados", "propagados" com a promessa de esticar a existência. Vamos tomar vitaminas, vamos malhar, colocar nas nossas vidas hábitos que sugerem a longevidade.
Quem ensinou isso tudo? Quando começou a negação da perda da consciência? Como nos ensinaram a olhar o mundo como separado de nós? Porque não nos ensinaram que estamos inseridos nele? Que como uma planta numa ventania, também pereceremos?
Diante do exposto, sinto dizer:

que a beleza, tão cultuada, desaparecerá
que os músculos, tão estimulados, atrofiarão
que brancura da pele, amarelará
que a voz que sai da boca, se calará
que o brado da rapidez, devagará
que a clareza da consciencia, cessará
enfim
enfim
enfim

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Críticas

Não quero que me leiam sem me criticar
Quero ser alvo, nem que seja de críticas pejorativas
Quem decide sou eu mesmo
Trago pra mim a responsabilidade pelos meus ouvidos
Sou eu, absolutamente só, que significo o que me dizem


Por isso e por tudo mais sou completamente acertado com minhas palavras
Elas expressam absolutamente aquilo que eu quero dizer
Ninguem sabe o que elas querem dizer, eu sei
Eu escrevo para mim, quanto aos outros, por favor, intepretem como quiser
Não me importo com isso, façam com as minhas palavras aquilo que melhor elas puderem fazer por vocês


Para mim elas representam momentos vividos que consigo expressar por meio de códigos
Quanto a vocês, que leêm o que escrevo, deixo como conselho: usem-as para o seu bem
Conservem nelas, nas minhas palavras aquilo que vocês, através de seus pensamentos puderem associar
Mas os meus sentidos pertencem somente a mim
Só eu sei para quem escrevo, porque escrevo e o que me inspira a codificar as minhas ideias


Quanto a vocês, o problema não é meu
Espero somente que com as minhas palavras vocês possam viajar no pensamento
Não importa que seja de ódio ou de amor
O que importa é que, por meio das minhas palavras, uma ideia seja desdobrada em outra
Um pensamento seja capaz de se multiplicar e direcionar outros sentidos
E que apesar de só eu ter a posse dos motivos de minha escrita
Vocês, que me leêm, possam encontrar outros motivos, não os meus, mas os de vocês
Que objetivamente não terão nada de pulsante emitido por mim, mas de relacional emitido por vocês


Afinal de contas o que importa é que por meio das minhas palavras algo se irradie em vocês
O que quer que seja deverá impulsionar ao pensamento, nem que seja um encontro, uma revolta ou uma porcaria.
Por isso tudo, e por tudo que não me inspirou, sigam se inspirando com as minhas palavras e encontrem em mim um impulso que se irradiando nos fará um encontro.
Um encontro que ninguém saberá, nem eu mesmo
Pois aqui, deixo as minhas palavras com vocês que me leêm, elas não me pertencem mais
Já as vomitei uma a uma
Talvez, mais tarde, nem eu mesmo saiba porque escrevi tudo isso!!!!

O Refúgio

Eles estavam todos sentados diante da ribanceira esperando que alguma coisa acontecesse
De tanto esperarem quase desistiram
Quando, de repente, eis que surge ao longe, de frente para eles um grande clarão
Um clarão irremediavelmente contagiante que carregava consigo uma força, que de tão forte parecia intransponível
Uma força, que logo de inicio se revelou como um "estranho" que precisaria ser contornado
Essa passagem, nem que fosse para fazer o caminho se constituíria num precipício inatingível aos seus olhos
Inicialmente esse precipício poderia levá-los a um caminho tortuoso, em que fadas e genios apareceriam por entre as curvas e reentrâncias, se constituindo reais
Mas....o que fazer? O que pedir? O que sentir diante de um real que sempre se consolidou como imaginário? e ainda com contornos de imagens que só poderiam ser evidenciadas em ficções?
Vamos explorar  esse momento. Mesmo sem saber onde vai dar.
Que caminho é esse que nós põe frente ao desconhecido?
Que coragem deve sair de dentro de nós para enfrentarmos o desafio imaginário de uma provável derrota?

São perguntas que eles, diante do clarão se faziam
Parecia que a vida, nesse momento, seria relatada passo por passo, em que cada um tomava consciência da grandeza dos pensamentos
Eles, os pensamentos, vinham um a um aceleradamente e acidentalmente
Cada um desses pensamentos, infimos que fossem, estavam adormecidos e escondidos no refúgio mais profundo de suas almas
Todos eles retornaram, um a um, como num lapso, mas representando uma infinidade de tempos
Muitos desses tempos esquecidos retornaram forçosamente impulsionados pelo clarão, de forma que um filete de segundo se transformou num infinito de uma existência.
Seria impossível para nós "reles" mortais, controlados pelos nossos relogios, o entendimento abrupto desse esparramar de fatos e pensamentos.
Que mistério é esse que está nos assombrando, nesse momento?. Está nos colocando diante dos fatos esquecidos?
Eles foram trazidos de volta para serem repassados
Um deles se deparou com a cena mais terrivel de sua vida. Cena que há muito se mantinha adormecida e esquecida.
Que fagulha se irradia da mente para que tanta desordem se materializasse subitamente?
Seria aquilo que buscamos esquecer ao longo do caminho para nos proteger dos desencantos?
Todos vivemos desencantos, vivemos situações absolutamente incontestáveis, as vezes e outras ainda irremediáveis.
Esses fatos nos colocam à frente a possibilidade do fracasso
Então....os mandamos para os refúgios, onde eles passam a habitar. Refugios tenebrosos, escuros e encharcados de poeira. Mas...de repente um clarão os ilumina e eles retornam
E quando retornam a tona nos revisitam arrastando consigo sentimentos, emoções, sensações
Passam  a limpo a tempo.

É isso, o tempo precisa ser limpado
Ele precisa ser descontaminado
Ele precisa ser esterelizado
Só assim, pela limpeza, se manterá clarificado
O que importara é como o tempo foi vivido
Não deixar que o tempo se contamine é a melhor forma de evitar o refúgio
E....sem o refúgio o tempo ficará claro
Ficará pronto para ser revivido higienicamente.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Desencontro escabroso na escrita

Voltei pra te contar sobre mim
Passei todo esse tempo ausente em busca de novas sensações
Queria retornar com surpresas, mas ficou dificil, esse mundo sempre se repete
Ele se repete mesmo, chega a ser cansativo, enfadonho....
Principalmente quando queremos novidades
Elas nunca aparecem, mas é claro, como apareceriam?
As novidades não são fantasmas pra aparecer. Ainda que peçamos por elas, as vezes tudo se torna sinistro.
Sem graça, sem entusiasmo, sem energia

Mas espera ai...que diabo de pobreza é essa?
Como pode uma pessoa tão pretensiosa escrever tão mal?
É de chorar de rir, que uma pessoa completamente soberba, chegue no abismo das palavras.
Vai aprender a escrever desastrado, não aniquila as frases com palavras ajustadas como essas!!
Parece que estas completamente consciente, ou melhor, tentando fazer uma redação para o vestibular
com aqueles temas como "O que é felicidade para mim?" em que o pobre do aluno não sabe o que fazer com tanta informação dada pelo professor de redação?
Assim está a tua escrita, pobre, fraca, acanhada e mediocre.

Mas porque tudo isso?, para que ideias tão arrumadas?
Deixa que elas venham de forma invasiva e tortuosa
Sinta-se  invadido, atropelado, atravessado por uma ideia
Deixe seus dedos digitarem sem que se saibam que palavras as teclas vão formar
Leia depois e sinta, fundamentalmente, que você é outro nas suas palavras
Se desconheça na sua escrita e  encontre nela, um outro que você tinha esquecido
E deixe-o esquecido, não tente trazê-lo a tona, deixe ele lá, desconhecido de você
Caso você estabeleça uma relação intima com ele, você estará perdido
Será o fim do inicio da sua carreira de poeta.

Ainda assim, com todas essas advertências mal explicadas
A verdade é que a sua escrita está beirando o precipicio
Nem tente disfarçar com conselhinhos ridiculos para esconder sua total falta de inspiração
Deixe-se ficar escrevendo redação e continue tentando
Por ora, você foi um fiasco
Vá dormir que é melhor, sonhe e veja se é possivel ainda continuar