Por um instante um turbilhão de pensamentos me assaltam. Estava dirigindo, de repente, vejo um homem atravessar na minha frente. Fico então a imaginar quantos anos teria aquele homem. Será que tinha 65, 67 ou 70 anos? Não soube responder. Pensei, porém, que talvez ele não tivesse idade de ser meu pai. Comecei imediatamente a fazer contas, eu estou com 46 anos se o tal homem tivesse 65 anos, possivelmente eu teria nascido quando ele tinha 19 anos, ou 21 anos ou 24 anos. De qualquer forma ele seria um pai muito novo para mim.
Imediatamente me senti velho, senti que já não dava para imaginar que qualquer homem maduro que eu visse na rua, pudesse ser ou ter idade para ser meu pai. Senti o peso da idade e com ela a invasão inevitável da minha maturidade. Fico as vezes pensando como se sente meu pai quando vê o anúncio da copa de 2014. O que passará pela mente de uma pessoa que já está em volta dos 70 anos com as noticias de acontecimentos que se realizarão daqui a 4 ou 5 anos? É interessante pensar nisso e concluir que apesar de sabermos que todos nós vamos morrer, sem importar a idade, que o correr do tempo nos coloca numa posição de alerta constante, no lugar de uma aproximação que queremos nos distanciar.
Tudo nesse mundo vai ao desencontro do fim. A todo momento negamos o fim da existência. O mercado ganha incessantemente com isso. Mil promessas mirabolantes são feitas a cada dia com a finalidade de nos distanciar do fim. Medicamentos, procedimentos, comportamentos, atitudes, hábitos são constantemente "descobertos", "inaugurados", "propagados" com a promessa de esticar a existência. Vamos tomar vitaminas, vamos malhar, colocar nas nossas vidas hábitos que sugerem a longevidade.
Quem ensinou isso tudo? Quando começou a negação da perda da consciência? Como nos ensinaram a olhar o mundo como separado de nós? Porque não nos ensinaram que estamos inseridos nele? Que como uma planta numa ventania, também pereceremos?
Diante do exposto, sinto dizer:
que a beleza, tão cultuada, desaparecerá
que os músculos, tão estimulados, atrofiarão
que brancura da pele, amarelará
que a voz que sai da boca, se calará
que o brado da rapidez, devagará
que a clareza da consciencia, cessará
enfim
enfim
enfim
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