quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Refúgio

Eles estavam todos sentados diante da ribanceira esperando que alguma coisa acontecesse
De tanto esperarem quase desistiram
Quando, de repente, eis que surge ao longe, de frente para eles um grande clarão
Um clarão irremediavelmente contagiante que carregava consigo uma força, que de tão forte parecia intransponível
Uma força, que logo de inicio se revelou como um "estranho" que precisaria ser contornado
Essa passagem, nem que fosse para fazer o caminho se constituíria num precipício inatingível aos seus olhos
Inicialmente esse precipício poderia levá-los a um caminho tortuoso, em que fadas e genios apareceriam por entre as curvas e reentrâncias, se constituindo reais
Mas....o que fazer? O que pedir? O que sentir diante de um real que sempre se consolidou como imaginário? e ainda com contornos de imagens que só poderiam ser evidenciadas em ficções?
Vamos explorar  esse momento. Mesmo sem saber onde vai dar.
Que caminho é esse que nós põe frente ao desconhecido?
Que coragem deve sair de dentro de nós para enfrentarmos o desafio imaginário de uma provável derrota?

São perguntas que eles, diante do clarão se faziam
Parecia que a vida, nesse momento, seria relatada passo por passo, em que cada um tomava consciência da grandeza dos pensamentos
Eles, os pensamentos, vinham um a um aceleradamente e acidentalmente
Cada um desses pensamentos, infimos que fossem, estavam adormecidos e escondidos no refúgio mais profundo de suas almas
Todos eles retornaram, um a um, como num lapso, mas representando uma infinidade de tempos
Muitos desses tempos esquecidos retornaram forçosamente impulsionados pelo clarão, de forma que um filete de segundo se transformou num infinito de uma existência.
Seria impossível para nós "reles" mortais, controlados pelos nossos relogios, o entendimento abrupto desse esparramar de fatos e pensamentos.
Que mistério é esse que está nos assombrando, nesse momento?. Está nos colocando diante dos fatos esquecidos?
Eles foram trazidos de volta para serem repassados
Um deles se deparou com a cena mais terrivel de sua vida. Cena que há muito se mantinha adormecida e esquecida.
Que fagulha se irradia da mente para que tanta desordem se materializasse subitamente?
Seria aquilo que buscamos esquecer ao longo do caminho para nos proteger dos desencantos?
Todos vivemos desencantos, vivemos situações absolutamente incontestáveis, as vezes e outras ainda irremediáveis.
Esses fatos nos colocam à frente a possibilidade do fracasso
Então....os mandamos para os refúgios, onde eles passam a habitar. Refugios tenebrosos, escuros e encharcados de poeira. Mas...de repente um clarão os ilumina e eles retornam
E quando retornam a tona nos revisitam arrastando consigo sentimentos, emoções, sensações
Passam  a limpo a tempo.

É isso, o tempo precisa ser limpado
Ele precisa ser descontaminado
Ele precisa ser esterelizado
Só assim, pela limpeza, se manterá clarificado
O que importara é como o tempo foi vivido
Não deixar que o tempo se contamine é a melhor forma de evitar o refúgio
E....sem o refúgio o tempo ficará claro
Ficará pronto para ser revivido higienicamente.

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