quarta-feira, 6 de março de 2013
Bandeiras! Inúteis, eu acho....
o mundo diz vai
e eu não vou
pouco me interesso pela direção da enxurrada
resisto, me impeço
prefiro não fazer coro, opto pelo silêncio
a observação, o visual me atraem, me emocionam e arrebatam
decido sempre pelo pensamento, pelo passeio das ideias
visito cada uma delas, preciso revê-las e repensa-las
as bandeiras, elas sim me amedrontam
sou convicto de que a via é do particular para o coletivo
entendi que sobre a enxurrada subjaz, disfarçadamente, o poder
compreendi, por isso, que o poder é o combustível da unanimidade
reconheci que a unanimidade privilegia, favorece
não os que levantam a bandeira
mas os que são o estímulo do levante
apenas eles, somente eles, se beneficiam
os fatos manifestam a realidade
o mundo se revela aos que querem enxergar
mas os olhos permanecem fechados, nublados e cegos
a clareza se dissipa, ela se dilui num mar de arrogância
o desejo primitivo surge como ímpeto para a consagração
bajular é preciso
se manifestar enobrece, retira o ser do obscurantismo
marca a presença
pontua a existência
nomeia o anonimato
nesse tropeço, surge desde então, a arrebatadora força
a voracidade se materializa
como uma via disfarçada para o gozo
que perseguido, nos encontra com a morte
é o esperado fim, ele chegou
e, no entanto,é o inicio de um recomeço
eu clamo e proclamo...vamos derrubar as bandeiras
vamos derrubá-las solenemente com golpes de machado
na mais absoluta paz e tranquilidade
vamos destruí-las todas, elas são inúteis, desprezíveis
completamente desnecessárias
elas são ineficientes
imprudentes
inconsequentes
infrutíferas
elas denunciam o mais primitivo dos sentimentos
aqueles tão rudimentares que incitam a destruição
optemos por nós mesmos
optemos pela ocupação do interior
vamos ocupar nosso interior
trazer pra dentro dele impressões do mundo
impressões colhidas com olhares
eu, de minha parte, escolhi a beleza e a contemplação
a beleza que impregna o olhar
marcando e fundando um lugar eterno
indestrutível
prefiro contemplar à discutir
prefiro também, observar a ter que relatar
contemplar e observar colocam o eterno em mim
arrumam o meu espaço interior
inauguram um território duradouro, sólido
e só meu
que busco quando eu quero
lá, nesse território eu me encontro com a minha construção
com a minha produção...
lá, eu encontro, o que eu recolhi com os meus olhos
lá, eu encontro a beleza
as memórias
as lembranças
as recordações
todas minhas, somente minhas
duradouramente minhas.
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