É a folia contagiante levando as pessoas ao extâse e à anestesia dos pensamentos.
É engraçado ouvir a palavra aproveitar. Todos querem aproveitar, querem espremer, espremer até não pingar mais gota nenhuma do caldo, restando só o bagaço. Mas, porque será, que essa necessidade de aproveitar assombra as pessoas? É comum esse tipo de orientação: Você tem que aproveitar ou aproveite o máximo que você puder. É no mínimo interessante essa urgência de tirar vantagem, de acumular prazer e explodir de tanta coisa boa. E é esse o momento emblemático do tirar proveito, é o carnaval. Bichos que se libertam da jaula acompanhados por uma pseudo liberdade assistida.
É isso mesmo que parece. Todos acham que têm que se abastecer de coisas aproveitáveis, e, de preferência, que tragam benefícios com a simulação de um estado paradisiaco.
O que querem essas pessoas? Chegar na plenitude?
Não seria essa necessidade a negação de si? Ou a impossibilidade de comunhão consigo, na medida em que se busca o inalcançável?
Seria dinheiro? Seria prazer? O certo é que: alcançar o inalcançável faz com que o caminho termine. Promove o encontro com o nada, com aquilo que tanto se buscou, e que quando se alcançou nada foi encontrado, apenas o espaço vazio daquilo construído para significar que o caminho acabou e que um novo percurso deverá ser reeditado com todas as nuances e robustês do "aproveitar" que novamente levará ao nada.

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