Tenho uma grande paixão pela fonte courier, não sei explicar exatamente o porquê. As vezes me vem à mente que talvez seja por causa de um saudosismo todo especial pelas antigas máquinas de datilografia. É exatamente isso, aquelas máquinas que faziam um barulho quando batíamos na tecla e que tinha que trocar a fita quando as letras ficavam claras. Se não me falha a memória essa mesma fita, era de duas cores: uma preta e outra vermelha.
Nessa época acho que nenhum poeta que usasse essas máquinas poderia escrever um texto na surdina, sempre o barulho das teclas ressoavam pelos arredores convocando os curiosos a especularem sobre que nova "musa" os estariam inspirando.
E o mais engraçado é que a paixão pela fonte courier que me fez lembrar as antigas máquinas de escrever, me fez também lembrar aquele jornalista da minissérie Hilda Furacão. Aquele jornalista que tentava loucamente, a todo custo, entrevistá-la. Alias, Hilda também foi uma mulher apaixonante, uma mulher à frente de seu tempo, que provocou, quebrou tabus, se tornando famosa e desejada.
Ela impôs, em um tempo atravancado pelo preconceito, um novo direcionamento, distanciado que era, do comportamento vigente para as mocinhas recatadas, em que o desejo era camuflado pela falso controle dos sentimentos, pelo cuidado com a pronúncia das palavras, e ainda por cima, se deu ao luxo de decidir por quanto tempo iria transgredir, por exatamente 4 anos, segundo ela. Vale ler o livro do tal jornalista, Roberto Drumond ou acompanhar a minisserie que passa atualmente no canal pago "viva" da Globo sat.
É interessante notar como a paixão realmente põe à prova o controle do sujeito, tanto na sua afeição por uma fonte de um computador, quanto na fissura por uma mulher, deixando-o cego e totalmente impossibilitado de articular as ideias, de conter os impulsos. Esse fato se manifesta com todas as suas nuances, na paixão avassaladora do Padre pela Hilda. Nela, na paixão, tem-se a certeza de que em algumas situações da vida realmente o controle fica subjulgado por um sentimento incontrolável que parece reproduzir uma situação paradisíaca, para onde todos pretendemos retornar.
A minha paixão pela fonte courier e a do Padre pela Hilda Furacão, que comparação estapafúrdia.
Desse amontoado de ideias desconexas, de cunho eminentemente desajustado seria bom reter, tão somente: o que uma fonte, pela qual se é apaixonado, é capaz de fazer emergir....e como os pensamentos se encadeiam articulando novos sentidos para o caótico.

MAIS QUE ADORAR A FONTE COURIER É TRAZER DA MEMÓRIA A PAIXÃO PELO QUE PODE OU NÃO SER PALPÁVEL E QUE SE TRADUZ COMO UM SENTIMENTO EUFÓRICO E RETRAIDO AO MESMO TEMPO. TER IMACULADO ESTE AMOR É A FORTUNA QUE FALTA A ALMA. NÃO INTERESSA SE É DE UM PADRE POR UMA MULHER OU SE DE UM POETA PELA MÁQUINA DE ESCREVER OU SE É DE UM HOMEM COMPLEXAMENTE POÉTICO PELA FONTE COURIER.
ResponderExcluir