terça-feira, 28 de setembro de 2010

O lixo nosso de cada dia!!

"Jogar lixo para baixo do tapete", eis uma expressão que guarda um mundo de sentidos. O lixo, nesse caso, é um amontoado de inutilidades que devem ser desprezadas, descartadas, destruídas e que, provavelemente deveriam desaparecer, caso contrário, se acumulariam e  nossas vidas ficariam tão cheias, mas tão cheias, que se tornariam inabitáveis, impossíveis de circulação, atravancadas e sujas.
No entanto, esse acúmulo parece fazer parte da vida de muitas pessoas. Algumas, tem dificuldade de se livrar de seus lixos materiais, guardam tudo, ruminam, re-examinam até conseguirem extrair do lixo alguma coisa  limpa que lhes sirva. De todo modo, elas permanecem com o lixo.

Essa imposibilidade de libertação do lixo se configura como um referencial que se levado ao pé da letra, pode revelar um ser do "re". Re-ver, re-analisar, re-visar, re-visitar, re-viver, re-sentir, apesar de que todo lixo, seja ele qual for, deveria ser re-ciclado.

Os ecologicamente corretos pregam a re-ciclagem, o re-aproveitamento do que do lixo, pode ser utilizado e transformado em alguma coisa proveitosa que não é mais lixo, mas num novo material perfeitamente re-utilizável. Pensar nisso metafóricamente, traz a possibilidade de encontrarmos não só o lixo material, mas também o lixo mental, aquela sujeira que acumulamos ao longo da vida e que muitas vezes guardamos. Esses também re-velam um "re". Re-vivemos, re-visitamos, re-vemos todas as nossas sujeiras interiores sem re-ciclá-las, dessa forma re-começamos e nos premiamos e re-visitamos absolutamente toda essa sujeira.

Eis o mistério da mágoa, o re-sentir, sentir tudo de novo. É comum o ato de re-sentir, e é uma expressão usual a afirmação: "estou ressentido". Constantemente nos deparamos com episódios de re-sentimento. O que será que leva alguém a sentir, sentir, sentir sem re-ciclar? Guardar para si toda o sujeira possível durante sua existência? E ainda por cima atribuir ao outro a responsabilidade por toda essa porcaria.

Se é re-sentir, é sentir o já sentido. Qual a necessidade de sentir novamente aquilo que já foi sentido? Sentir o lixo? Sentir a sujeira? Sentir o que não presta mais? Fazemos isso constantemente, e para entendermos basta que  olhemos para o mundo, para as relações entre as pessoas, para as relações políticas, para as relações familiares, para as relações de trabalho, todas, sem exceção, se manifestam de alguma forma com essa repetição, a de sentir a sujeira  já sentida. O que fazer com tanto re-sentimento?

Olhar a lua por entre as palmeiras e constatar que ela se re-cicla, re-nasce a cada fase, re-aparece cheia, crescente, nova, minguante e que re-vela  claridade por entre as águas calmas de um rio. Contemplá-la possibilita um re-sentir em cada fase, mas um re-sentir re-coberto por um desligamento e um afrouxamento que libera o lixo, a sujeira.

Que bom que os lunáticos existem, re-ciclando, re-sentindo e re-nascendo em cada fase da lua!!!!




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