terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vazio

Ao se sentir vazio, o que fazer?
Quando as palavras não brotam, o que dizer?
Quando os olhos não leem, o que contar?
Quando os cheiros não impregnam, o que sentir?
Quando os ouvidos não escutam, o que falar?

Nada...

Mas como saber que o nada é nada?
Se o nada é dito....ele é tudo

Nada é tudo.


Desisto.
Já tentei de tudo pra me encontrar,
Encontrei o nada....mas qual nada?
Até no nada não me encontrei;
Ele pareceu vazio, sem chão, sem luz.
Que nada é esse que me cerca e me distrai?
Que me ampara mesmo sendo nada?
Mas o que é isso? Cansei de tudo.
Não quero que me peçam coisa nenhuma,
Não vou fazer, não vou contribuir.
Quero que me esqueçam, me deixem, me deixem...
Não quero compreensão, nem reconhecimento.
Quero ficar no nada, continuar no nada.
Não compreendo as pessoas, mas pra que?
Elas não precisam da minha compreensão.
Minha compreensão é nada e nada não serve pra nada.     
E mesmo sendo nada é alguma coisa. Que coisa?
O nada, o nada que preenche meu ser, derrama, transborda
Inunda e contamina quem me cerca.
Será que é mesmo nada? Ou no nada tem tudo?
Tudo que tenho para dar é nada
É vazio, oco, despreenchido é nada.
Nada, nada nada, porém o nada tem tudo.
O meu nada tem tudo.
O meu nada limita minha alma, minha existência.
Ocupa tudo que tenho.

E ainda assim, forte, robusto e encorpado no nada

Me disponibilizarei para continuar

Talvez no nada, ou quem sabe...no quase nada!


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