O que será que levou as pessoas, num pais sofrido como o nosso, a eleger com 1.300.000 votos um canditadato a Deputado Federal na maior cidade Brasileira, que assalta a representação emblemática de uma figura como a do Palhaço?
Passemos a análise desse fato, que no mínimo intriga e provoca surpresa:
Hipótese 1 - A devolução do Palhaço aos Palhaços!!
Apreciar o Brasil como um pais onde existe uma comoção generalizada com vocação quase que instantânea para o susto, a pena, a lamentação e para os ditos acalorados emprenhados de passionalidade é poder suspeitar que os fatos que antecederam essa situação contribuiram para esse final, no mínimo, estranho.
Recentes acontecimentos que sucessivamente manifestaram cenas indigestas de desonestidade, roubos, falcatruas e mentiras perseguiram a vida dos Brasileiros sem que se pudesse ter feito nada, ou quase nada, para aliviar tamanha indignação.
Todo esse panorama de acontecimentos funestos se armazenou nas mentes e corações desse pobre povo. Possivelmente, tornando-o desesperançoso (e aqui quero dizer sem espera, apressado), levando-o a revidar com uma resposta que se traduziu sob a forma de devolução da podridão, da falta de respeito que recebeu ao longo desse curto espaço de tempo, só para falar de agora, esse ano de 2010.
Talvez como revide o povo mandou, sob a forma de protesto, a estonteante votação num palhaço que metafóricamente reflete aquilo que ele (o povo) vem recebendo ao longo desse percurso "democratico" tortuoso dos nossos representantes politicos.
Se o palhaço é engraçado, bobo, conta piadas para divertir as pessoas, forja situações que devem ser motivos de risos e chacotas e ganha seu dinheiro com tudo isso... Qual seria, então, a diferença entre o palhaço e os politicos?
É bem significativo que esse fato demonstre, numa ocasião delicada, a revolta de um povo tratado de forma nociva e pouco fiel. A lei é que os burros devem ficar cada vez mais burros.
Hipótese 2: O tiro sai pela culatra e acerta os portadores das arma!!
É evidente que esse fato revela uma tendência desse mesmo povo a uma miséria de pensamento ou ainda a uma escassez de raciocínio, levando-se em consideração que essa tentativa de subversão poderá sobremaneira detonar um retorno contra ele próprio.
Ora, sabemos de antemão, que um Deputado Federal vai representar o povo em Brasilia, portanto, deveria ser muito bem escolhido. Sabemos também, que para que o interesse do povo seja salvaguardado é necessário uma bancada forte e atuante e no mínimo que possuisse um entendimento desse manejo político.
Seria hora de se perguntar: Como que um candidato semi analfabeto, sem um repertório consolidado de palavras e ideias vai poder expressar uma representação popular tão grande como a do estado de São Paulo? Quem será que esta por tras de tudo isso? E ainda, como que um "ser" que se autodenomina "Palhaço" (coitado dos palhaços, devem estar se sentindo ofendidos agora!!!) incorporando um personagem lúdico e infantil vai responder a toda essa demanda? Claro que será mais um que com condescendência e chancela do povo, vai encher o seu bolso e de outros mais, de dinheiro a custa dos impostos que nós, pobres mortais, pagamos todos os meses com sacrifício.
Não seria a hora de revelarmos menos comoção e passionalidade e passarmos a demonstrar mais empenho, lucidez e responsabilidade nas nossas escolhas?
Parece piegas, mas realmente o "povo tem o governante que merece". É lamentavel e triste, mas o palhaço foi eleito por quem o escolheu como o candidato mais adequado a representá-lo.
Enfim, pelo cenário apresentado e estabelecido, deve-se render homenagem ao palhaço!!!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Uma Declaração de Amor
Cachinhos dourados
Sorriso espontâneo
Ensinaste-me a perceber o amor
O amor que existe inexplicavelmente
Que invadiu o meu ser
A partir dali soube o que é amar
Soube dele, o amor
Soube que ele não tem história, acontece
Soube que ele amadurece, mas permanece
Soube que ele se transforma, mas não muda
Mulher que era menina
Agora te amo
Sempre te amo
Amo a mulher como amo a menina que conservo dentro de mim
Sei que te amo
Pareces o mar
Tens ele no nome
Navegaremos juntos
Sempre.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O lixo nosso de cada dia!!
"Jogar lixo para baixo do tapete", eis uma expressão que guarda um mundo de sentidos. O lixo, nesse caso, é um amontoado de inutilidades que devem ser desprezadas, descartadas, destruídas e que, provavelemente deveriam desaparecer, caso contrário, se acumulariam e nossas vidas ficariam tão cheias, mas tão cheias, que se tornariam inabitáveis, impossíveis de circulação, atravancadas e sujas.
No entanto, esse acúmulo parece fazer parte da vida de muitas pessoas. Algumas, tem dificuldade de se livrar de seus lixos materiais, guardam tudo, ruminam, re-examinam até conseguirem extrair do lixo alguma coisa limpa que lhes sirva. De todo modo, elas permanecem com o lixo.
Essa imposibilidade de libertação do lixo se configura como um referencial que se levado ao pé da letra, pode revelar um ser do "re". Re-ver, re-analisar, re-visar, re-visitar, re-viver, re-sentir, apesar de que todo lixo, seja ele qual for, deveria ser re-ciclado.
Os ecologicamente corretos pregam a re-ciclagem, o re-aproveitamento do que do lixo, pode ser utilizado e transformado em alguma coisa proveitosa que não é mais lixo, mas num novo material perfeitamente re-utilizável. Pensar nisso metafóricamente, traz a possibilidade de encontrarmos não só o lixo material, mas também o lixo mental, aquela sujeira que acumulamos ao longo da vida e que muitas vezes guardamos. Esses também re-velam um "re". Re-vivemos, re-visitamos, re-vemos todas as nossas sujeiras interiores sem re-ciclá-las, dessa forma re-começamos e nos premiamos e re-visitamos absolutamente toda essa sujeira.
Eis o mistério da mágoa, o re-sentir, sentir tudo de novo. É comum o ato de re-sentir, e é uma expressão usual a afirmação: "estou ressentido". Constantemente nos deparamos com episódios de re-sentimento. O que será que leva alguém a sentir, sentir, sentir sem re-ciclar? Guardar para si toda o sujeira possível durante sua existência? E ainda por cima atribuir ao outro a responsabilidade por toda essa porcaria.
Se é re-sentir, é sentir o já sentido. Qual a necessidade de sentir novamente aquilo que já foi sentido? Sentir o lixo? Sentir a sujeira? Sentir o que não presta mais? Fazemos isso constantemente, e para entendermos basta que olhemos para o mundo, para as relações entre as pessoas, para as relações políticas, para as relações familiares, para as relações de trabalho, todas, sem exceção, se manifestam de alguma forma com essa repetição, a de sentir a sujeira já sentida. O que fazer com tanto re-sentimento?
Olhar a lua por entre as palmeiras e constatar que ela se re-cicla, re-nasce a cada fase, re-aparece cheia, crescente, nova, minguante e que re-vela claridade por entre as águas calmas de um rio. Contemplá-la possibilita um re-sentir em cada fase, mas um re-sentir re-coberto por um desligamento e um afrouxamento que libera o lixo, a sujeira.
Que bom que os lunáticos existem, re-ciclando, re-sentindo e re-nascendo em cada fase da lua!!!!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Adoro a fonte courier
Tenho uma grande paixão pela fonte courier, não sei explicar exatamente o porquê. As vezes me vem à mente que talvez seja por causa de um saudosismo todo especial pelas antigas máquinas de datilografia. É exatamente isso, aquelas máquinas que faziam um barulho quando batíamos na tecla e que tinha que trocar a fita quando as letras ficavam claras. Se não me falha a memória essa mesma fita, era de duas cores: uma preta e outra vermelha.
Nessa época acho que nenhum poeta que usasse essas máquinas poderia escrever um texto na surdina, sempre o barulho das teclas ressoavam pelos arredores convocando os curiosos a especularem sobre que nova "musa" os estariam inspirando.
E o mais engraçado é que a paixão pela fonte courier que me fez lembrar as antigas máquinas de escrever, me fez também lembrar aquele jornalista da minissérie Hilda Furacão. Aquele jornalista que tentava loucamente, a todo custo, entrevistá-la. Alias, Hilda também foi uma mulher apaixonante, uma mulher à frente de seu tempo, que provocou, quebrou tabus, se tornando famosa e desejada.
Ela impôs, em um tempo atravancado pelo preconceito, um novo direcionamento, distanciado que era, do comportamento vigente para as mocinhas recatadas, em que o desejo era camuflado pela falso controle dos sentimentos, pelo cuidado com a pronúncia das palavras, e ainda por cima, se deu ao luxo de decidir por quanto tempo iria transgredir, por exatamente 4 anos, segundo ela. Vale ler o livro do tal jornalista, Roberto Drumond ou acompanhar a minisserie que passa atualmente no canal pago "viva" da Globo sat.
É interessante notar como a paixão realmente põe à prova o controle do sujeito, tanto na sua afeição por uma fonte de um computador, quanto na fissura por uma mulher, deixando-o cego e totalmente impossibilitado de articular as ideias, de conter os impulsos. Esse fato se manifesta com todas as suas nuances, na paixão avassaladora do Padre pela Hilda. Nela, na paixão, tem-se a certeza de que em algumas situações da vida realmente o controle fica subjulgado por um sentimento incontrolável que parece reproduzir uma situação paradisíaca, para onde todos pretendemos retornar.
A minha paixão pela fonte courier e a do Padre pela Hilda Furacão, que comparação estapafúrdia.
Desse amontoado de ideias desconexas, de cunho eminentemente desajustado seria bom reter, tão somente: o que uma fonte, pela qual se é apaixonado, é capaz de fazer emergir....e como os pensamentos se encadeiam articulando novos sentidos para o caótico.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Um novo Círio se anuncia....
Depois de um ano inteiro de pecados chega a hora da rendição, dos pedidos de perdão, das súplicas acaloradas para que se consigam realizar os desejos, afinal, um novo círio se anuncia e com ele também se anuncia um reconhecimento, o de que é chegada a hora de repassar os pecados a limpo, um a um.
Passamos o ano inteiro pecando, cometendo deslizes morais, que na maioria das vezes, estão delimitados pela falta de educação, descortesia, deselegância e uma ética pobre, em que perpassam os excessos, a mania de "se dar bem" e a imprudência nos gestos e atitudes.
Mas outubro chegou, e com ele, chegou também a hora de enchermos a santa de solicitações, de jurarmos à ela que não iremos mais cometer nenhum desatino e de prometermos, ao mesmo tempo, que seremos pessoas melhores, mais educadas, mais respeitosas, mais tolerantes. Por meio dessas pretensões de reforma íntima nos damos à ela em troca pelo sacrificio, seja puxando a corda, seja andando quilometros a pé até a exaustão, talvez não seja isso que ela queira!!!!
Ora, é hora de assumirmos nossa participação ativa na construção desse pobre mundo. É necessario que reconheçamos que somos protagonistas de nossa história, assumindo que muito do que acontece com a nossa própria vida é produto de nossa própria criação. Não é mais tempo de nos desimplicarmos do sistema como meros receptáculos acefálos dos acontecimentos, em que os fatos acontecem independente de nossa vontade e desejo.
Precisamos tomar um novo rumo, buscando um novo direcionamento:
Aos que dirigem, que parem menos em fila dupla e respeitem os que vêm a trás..
Aos que enfrentam filas, que tenham paciência de esperar a sua vez...
Aos que trabalham, que procurem executar seu ofício com dedicação e competência...
Aos que não gostam de trabalhar, que assumam sua ociosidade...
Aos que mentem, que aprendam a lidar com as suas próprias verdades....
Aos que fracassam, que tenham animo para se reerguer....
Aos que querem se dar bem, que tenham a certeza que um dia vão se dar mal...
Aos que enganam, que aprendam que o principal engano é consigo mesmo...
Aos que controlam e manipulam, que procurem uma psicoterapia para melhorar a sua auto estima...
Aos que provocam, que aprendam a lidar com sua raiva interior...
Aos que prometem, que cumpram com seus própositos...
Aos que projetam, que consigam iluminar seu interior para compreender que são os criadores de suas histórias.
Se pudessemos assumir o controle sobre nossas ações, atos e desejos, talvez... Nossa Senhora de Nazaré tivesse um Círio em que pudesse contemplar, abraçar e cobrir de benções seus devotos.
Viva Nossa Senhora de Nazaré, vamos dar à ela um bom Círio no ano de 2010!!!!
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